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O ESTRANHO ENCONTRO ENTRE BORJA E BORJA

21.3.14
Quanto mais perto do fim anda o livro, mais o professor Borja consegue ajardinar Rosa e mais dele é a história, pelo menos mais dele é a condução dos factos. O livro insiste que Jesus Cristo bebia cerveja e o professor sofre da mesma insistência.
Pouso o livro a trinta páginas da última página. Em cima da mesa, ao lado do livro, existe uma caixa com duas colheres. As colheres são da marca Borja. Vieram da Suécia. Custam pouco dinheiro. Borja, o professor, e Borja, as colheres, terão diferentes destinos. O do livro há-de acabar em breve, mas o professor ficará na memória durante o tempo que a memória deixar que ele fique. As colheres ainda têm de comer muita sopa antes antes de concluírem a história que vieram contar a esta casa em Vila Nova de Gaia, a cidade que deixa o Porto à distância que o Porto precisa para ser Porto.




AINDA BEM QUE PAREI PARA METER CERVEJA

14.1.14

Há por aqui em Portugal dois ou três melhores do mundo no campo da literatura. Só que o mundo infelizmente ainda não sabe deles. Um é o Afonso Cruz, que escreve pontapés de bicicleta em todos os jogos (livros), que em todos os jogos (livros) mete golos na memória como quem põe a bola dentro da baliza e que nesses mesmos jogos (livros), nem se dá pela passagem dos minutos (páginas). Hoje, no regresso a casa, parei na FNAC e comprei "Jesus Cristo bebia cerveja". É muito bom, logo desde o pontapé de saída.
Ao chegar à loja, e antes de me meter na cerveja,  ainda vinha meio embriagado com a Bola de Ouro do Ronaldo, um futebolista perfeito, tão perfeito que até o português lhe foge da língua para as chuteiras, que é de onde os jogadores melhor dizem as coisas, mesmo que as digam com pontapés na gramática. Viva Ronaldo. Viva Afonso.

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