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O diário d´O Pintassilgo #5

2.4.15
O livro escolheu uma das mesas livres na rua do Mar, na Aguda.
Pediu um café, tomou um café.
Foi lido pelo sol durante duas horas. Também o vento passou por ele. Algumas crianças e a suas bicicletas meninas iam e vinham.
Pediu uma água lisa, bebeu a água lisa.
O livro escolheu ir embora dali às quatro da tarde. Conduziu-se para o ginásio. Treinou, suou, lavou-se. O livro só não foi ao ensaio na Casa da Música. Ficou a descansar no carro, em frente ao Bom Sucesso. Nem quis jantar o pão, as pataniscas e as moelas.
PS: a música de hoje é dos Tame Impala, Let it Happen, que cá voltará quando houver vídeo. Fica, como é costume, arrumado lá em baixo, o som.


O diário d´O Pintassilgo #3

28.3.15
Estes primeiros dias do romance da menina Tartt avançam e ele continua a ser a caldeira que a locomotiva do leitor exige. Ontem vi uma bicicleta amarela a desafiar as janelas do primeiro andar de um prédio e a passar por elas como se fosse normal uma bicicleta sonhar com o impossível.
Nada de mais, para quem, como eu, tem um Pintassilgo a servir de âncora dos dias. O livros até podem ir, mas se virmos bem as coisas, não vão, ao fundo. Interessantes tábuas de salvação.

 

O diário d´O Pintassilgo #2

28.3.15
Eu e a pessoa que manda em mim, a minha cabeça, estivemos esta tarde no Porto.
Para dizer a verdade estive lá mais eu do que ela. Ela anda a pensar em mudar de vida e eu não sei o que lhe diga. Ela é que manda. Mas adiante. Bebemos um belo café de saco num camarim da Casa da Música, comemos bolachas cor de trigo, falámos do tempo, da música, da Casa, e até fizemos metáforas com futebol à mistura.
Enquanto isto, no livro, há todas as partículas de pó no ar. Para já o livro está a saber tão bem como a primeira mijadela de um novo dia. Era bonito que ele continuasse a ser algo mais do que esse tesão matinal.


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