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Weekend Affair

25.8.20

Telefonaram-me de Matosinhos. O carro seguia numa das autoestradas que divergem do litoral para o interior. Para trás ficaram cidades como Famalicão, Braga, Barcelos, Ponte de Lima, que apenas serpenteámos. O asfalto não as chega a esventrar, só as torna mais rápidas e acaba onde o mandaram acabar. Isso normalmente acontece numa caixa registadora instalada no fim da linha, a alguns quilómetros do destino. Contando comigo éramos dois dentro do carro. Continuamos a somar quilómetros e dentro cada um desses quilómetros conversámos sobre vários assuntos: experiências de trabalho, óculos de leitura, lentes progressivas, peripécias verificadas no estádio da Luz antes final da Liga dos Campeões no domingo, ontem portanto. 

Por mais rápida que uma autoestrada ponha uma cidade, há sempre a possibilidade de lá chegarmos atrasados, especialmente se nos atrasarmos. E de facto, neste caso, chegamos atrasados, mas o atraso não nos penalizou. Para o propósito da nossa viagem chegámos a tempo, apesar termos comparecido no local combinado com vinte minutos em cima da hora marcada. 

À noite encontrei um disco de 2015 dentro de uma arca cheia de discos e de filmes. É uma colectânea de uma revista francesa especializada em música. Tirar o disco do plástico que o envolvia deu algum trabalho. Tem catorze músicas, catorze personalidades sonoras (e não só) diferentes. Stuck no Land é uma música extraída do disco Welcome To Your Fate de uma banda francesa chamada Weekend Affair.   

Pedestrian at best

6.2.15
Num episódio de uma série sobre traição dois escritores falam sobre o medo da página. Eu tenho dias em que tenho. Eles também tinham. Nunca sabemos bem do que se trata, para além de uma evidente falta de vontade de lá ir. Haverá formas de o explicar melhor, mas parece-me convincente a metáfora do espelho, durante a qual um homem se põe ao espelho e o espelho não tem homem para mostrar ao homem o homem que o homem é.
Posta de parte esta convalescença espiritual o carro subiu ao Minho pela estrada mais rápida de lá ir. Foi todo o caminho percorrido em pouco mais de uma hora, pois a partida para Arcos de Valdevez tinha sido feita em Matosinhos. Por essa altura tinha acabado de cair no mundo uma música nova, que se partilha a seguir. 


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