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Se podes ver, imagina

19.1.15
Esta fotografia do fundo do mar, tirada à hora das marés baixas, apanhou um cardume de espinhas. A água azul-agosto fora do mês. O dia a dar a volta ao sol. E mais nada, a não ser a vontade de mentir com bons modos.


CRÓNICAS DA RUA DO MAR (2)

16.4.14

Máquina com a língua de fora no deserto. Deserto nem tanto pela areia, mais pelas pessoas que não estiveram esta manhã praia da Aguda, lugar onde o mundo acaba. O Zé e o Manel passaram por nós em passo bem disposto, são fotojornalistas, talvez nos encontremos esta noite em Vila do Conde. Enquanto eles continuaram para norte, nós fizemos o contrário e encontramos a areia no bloco operatório, com a máquina que a vai operar pronta para o serviço. No fim da Rua do Mar o areal engorda durante o inverno. Coisa que lhe acontece todos os anos desde que o molhe foi construído. Não pode chegar assim à praia.Vai emagrecer umas toneladas antes do verão. Pessoas farão o mesmo ao corpo, outras não, quando o calor der à costa.

BOB DYLAN EM ARCOZELO

15.4.14
Ali em baixo no mar de letras, uma frase, onda maior, salta do texto, cavalga o artigo. "A felicidade nunca esteve entre as minhas prioridades". Autor da onda: Bob Dylan. O homem que, diz a edição espanhola da revista Esquire (comprada em Vila nova de Gaia), não quis ser Bob Dylan. Mas é.
Bob Dylan está em Arcozelo, julgo que em cima da mesa da sala, com o rosto por cima de um título, este, "Raro, Raro". Bob Dylan não está, como deveria estar, a rodar num gira-discos, porque a casa não tem gira-discos, mas vai tocar esta noite em Arcozelo. Nem que seja num num reprodutor de música tipo livro de bolso. Blood on the Tracks de norte a sul.


INVISÍVEL

27.2.14



O tempo esteve a secar ao sol em Arcozelo faz em Agosto dois anos. Pendurou-se num arame à porta do espigueiro, fez uso das molas já que elas ali estavam sem roupa para vestir, o tempo deixou-se estar enquanto quis e ninguém deu por ele, mas que ele por ali passou, passou, e quando acabou de passar foi como se nunca ali tivesse estado.

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