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O diário d´O Pintassilgo #5

2.4.15
O livro escolheu uma das mesas livres na rua do Mar, na Aguda.
Pediu um café, tomou um café.
Foi lido pelo sol durante duas horas. Também o vento passou por ele. Algumas crianças e a suas bicicletas meninas iam e vinham.
Pediu uma água lisa, bebeu a água lisa.
O livro escolheu ir embora dali às quatro da tarde. Conduziu-se para o ginásio. Treinou, suou, lavou-se. O livro só não foi ao ensaio na Casa da Música. Ficou a descansar no carro, em frente ao Bom Sucesso. Nem quis jantar o pão, as pataniscas e as moelas.
PS: a música de hoje é dos Tame Impala, Let it Happen, que cá voltará quando houver vídeo. Fica, como é costume, arrumado lá em baixo, o som.


ainda ontem

6.12.14

Pessoas que se encontram ao andar por cima de uma dia: os velhotes da lota, na Praia da Aguda, e as suas certezas, sobre a terra e sobre o mar, a bola e prisão de Sócrates. E mais se encontra: a menina Leonor com uma bola para o bebé João e gata ao colo que o assusta e o põe ao colo do pai. Outros ainda: uma fila de leões numa pizzaria à porta do estádio do Bessa. Mais: Os ricos contra os pobres, num relvado sintético, onde os ricos, e os seus melhores meios de chegar aos golos, jogam o jogo da lógica, mais do que o jogo do futebol. E praticamente mais ninguém, a não ser o povo na bancada, o jornalismo na tribuna e os alegadamente importantes no camarote.

CRÓNICAS DA RUA DO MAR (3)

6.5.14


Este domingo, pelo fim da manhã, na última rua do mundo, os fregueses lá apareceram em maior número para tomar café com sol. A lotação da Aguda esgotou no intervalo de duas ondas. Umas ciganas tentavam vender sapatos feios e ainda bem que a polícia entretanto chegou. Ninguém quer ver pés assustadores em lado nenhum, muito menos no lugar onde a terra acaba e o mar começa.

Os jornais é que ganham com os domingos e com os domingos luminosos nem se fala. Em cada mesa pelo menos um habitante lia qualquer coisinha sobre o dia anterior. Nos jornais ainda não se lê muito sobre o futuro. É bom sinal, porque a verdade ainda não tem amanhã. Melhor lidam as notícias com o pretérito, e às vezes, quanto mais pretérito, melhor. Mais tempo, melhor texto, informação superior. Boas contas ao tempo fez neste domingo a Revista 2. É sobre as idas ao bacalhau e os portugueses que por lá ficaram.

CRÓNICAS DA RUA DO MAR (1)

19.3.14
































A última rua do mundo sentou homens e mulheres em cadeiras de praia, deu-lhes refrigerantes, peixe na brasa, fatias de pão com a Itália na ponta da língua, a última rua do mundo calçou o sol, deu ansiolíticos ao mar, deu  vento ao papagaio, a última rua do mundo deu chão a quem chegou e outro chão a quem partiu, e deu, a este Março que ainda vai no meio-dia, a oportunidade de comer dias a Julho e Agosto.

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