Não sou do Porto, mas ando lá perto. Nasci do outro lado do rio, cresci, por lá (cá) fiquei, a sul, nunca muito afastado da praia, em Gaia. Trabalho a norte, numa terra de pescadores, mesmo em frente a uma fábrica de conservas, em Matosinhos. Todos os dias o jornalismo me cheira a sardinhas em lata. No zodíaco o meu signo é peixes. Parece fazer sentido, a vida encostada na orelha do Altântico, umas opções encaixam nas outras, o caminho tem sido este.
Dias há em que sou o homem dos pés azuis e do tronco cizento. O homem das pernas de ganga e das mãos nos bolsos. Dias há em que sim. Dias há em que não.
E lá vão passando por aqui as últimas noites da Terra, sendo certo que nem todas as histórias terminam em Vila Nova de Gaia.